Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível
O que podia ter sido é uma abstração
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito...
Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa?
Não sei.
Vai, vai, vai, disse a ave;
O gênero humano não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.
T.S. Eliot
VERCHININ: Muitas vezes penso se pudéssemos começar a vida de novo e o fizéssemos de modo consciente? Se a vida cumprida fosse uma espécie de rascunho e a outra – a nova – o texto passado a limpo? Imagino então que todos nós nos esforçaríamos antes de mais nada, para não nos repetirmos. Criaríamos outras condições de vida, providenciaríamos uma casa florida como esta, luminosa... Tenho esposa e duas meninas; minha esposa é uma mulher doente, etc., etc. Mas se pudesse recomeçar a vida, não me casaria. De modo algum.
(Tchékhov, As três irmãs)
— O passado é um país estrangeiro; fazem as coisas de um jeito diferente lá.
— Sim, o passado é um país estrangeiro — falei —, mas alguns de nós são cidadãos de pleno direito, outros turistas ocasionais e outros itinerantes incertos, ansiosos por ir embora, mas sempre desejosos por voltar. Há uma vida que acontece no tempo normal e outra que a interrompe, e desaparece tão repentinamente quanto chegou. E existe a vida que talvez nuca alcancemos, mas que poderia tão facilmente ser nossa se soubéssemos como encontrá-la. Não acontece necessariamente no nosso planeta, mas é tão real quanto a que vivemos... podemos chamá-la de "vida estelar".
***
O passado pode ser ou não um país estrangeiro. Pode se transformar ou permanecer o mesmo, mas sua capital sempre vai ser o Arrependimento, e o que flui ao longo dela é um canal de desejos não concretizados que correm em direção a um arquipélago de pequenas possibilidades que nunca aconteceram de verdade, mas não são irreais por não terem acontecido. O arrependimento é o modo como ansiamos por coisas que perdemos, mas nunca tivemos de verdade. O arrependimento é a esperança sem convicção, eu disse. Estamos divididos entre o arrependimento, que é o preço que pagamos pelas coisas que não fazemos, e o remorso, que é o preço que pagamos por fazê-las. Entre um e outro, o tempo se diverte com seus convidativos truques.
(André Aciman, Variações Enigma)
— Sim, o passado é um país estrangeiro — falei —, mas alguns de nós são cidadãos de pleno direito, outros turistas ocasionais e outros itinerantes incertos, ansiosos por ir embora, mas sempre desejosos por voltar. Há uma vida que acontece no tempo normal e outra que a interrompe, e desaparece tão repentinamente quanto chegou. E existe a vida que talvez nuca alcancemos, mas que poderia tão facilmente ser nossa se soubéssemos como encontrá-la. Não acontece necessariamente no nosso planeta, mas é tão real quanto a que vivemos... podemos chamá-la de "vida estelar".
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O passado pode ser ou não um país estrangeiro. Pode se transformar ou permanecer o mesmo, mas sua capital sempre vai ser o Arrependimento, e o que flui ao longo dela é um canal de desejos não concretizados que correm em direção a um arquipélago de pequenas possibilidades que nunca aconteceram de verdade, mas não são irreais por não terem acontecido. O arrependimento é o modo como ansiamos por coisas que perdemos, mas nunca tivemos de verdade. O arrependimento é a esperança sem convicção, eu disse. Estamos divididos entre o arrependimento, que é o preço que pagamos pelas coisas que não fazemos, e o remorso, que é o preço que pagamos por fazê-las. Entre um e outro, o tempo se diverte com seus convidativos truques.
(André Aciman, Variações Enigma)
No seu lugar, se houver dor, cuide dela, e se houver uma chama, não a apague, não seja bruto com ela. Arrancamos tanto de nós mesmos para nos curarmos das coisas mais rápido do que deveríamos, que declaramos falência antes mesmo dos trinta e temos menos a oferecer a cada vez que iniciamos algo com alguém novo. A abstinência pode ser uma coisa terrível quando não nos deixa dormir à noite, e ver que as pessoas nos esqueceram antes do que gostaríamos de ser esquecidos não é uma sensação melhor. Mas não sentir nada para não sentir alguma coisa… que desperdício!
Como você vive sua vida é problema seu. Mas lembre-se, nossos corações e nossos corpos nos são dados apenas uma vez. A maioria de nós teima em viver como se tivesse duas vidas, uma é a maquete, a outra a versão final, e todas as versões entre elas. Mas a vida é só uma, e antes que você se dê conta, seu coração se cansa e, quanto ao seu corpo, chega um momento em que ninguém mais olha para ele, muito menos quer chegar perto dele. Agora há tristeza. Não invejo sua dor. Mas invejo sua dor.
(André Aciman, Me chame pelo seu nome)