"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

ANTES QUE SEJA TARDE...

Olha, não sou daqui, me diga onde estou, não há tempo, não há nada que me faça ser quem sou, mas sem parar pra pensar, sigo estradas, sigo pistas pra me achar, e por sempre andar, andar, pequenas coisas vão ficando pra trás, pela longa estrada eu vou, estrada eu sou, deixe-me ir, preciso andar... O trem da juventude é veloz, quando foi olhar já passou, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo, esse é só o começo do fim da nossa vida... O futuro é hoje e cabe na palma da mão, mas o tempo não pára e escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, enquanto as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer... De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho, que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás. Eu às vezes fico a pensar em outra vida ou lugar (cada ser tem sonhos à sua maneira), estou cansado demais, mas não pra dizer que estou indo embora, eu quero dar o fora, está provado: quem espera nunca alcança, aja duas vezes antes de pensar. A vida não está certa nem errada, aguarda apenas nossa decisão. Talvez eu volte, um dia eu volto, agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez... Preciso às vezes ser durão, pois eu sou muito sentimental, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto... Eu me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem que não passa por aqui, que não passa de ilusão, por Deus, nunca me vi tão só, e a própria fé é o que destrói, esses são dias desleais, mas o pulso ainda pulsa, dói bastante mas depois melhora e com o tempo vira um sentimento que nem sempre aflora mas que fica na memória depois vira um sofrimento que corrói tudo por dentro, que penetra no organismo, que devora, mas depois também melhora... Reconheço o meu pesar quando tudo é traição, e o que venho encontrar é a virtude em outras mãos; quando eu falava dessas cores mórbidas, quando eu falava desses homens sórdidos, você não escutou. Você não quer acreditar, mas isso é tão normal... Não tem dó no peito, não tem jeito, alguém me dê um coração, que este já não bate nem apanha, qualquer coisa que se sinta, que descanse meus olhos, sossegue minha boca, me encha de luz... A noite é longa pra uma vida curta, mas já não me importa, voltamos a viver como há dez anos atrás, e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas. Eu devia estar contente porque tenho um emprego e sou um dito cidadão respeitável, mas o moço do disco voador não me levou... Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza, deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida, e nos arrasta moço, sem ter visto a vida. E era só isso que eu queria da vida: uma cerveja, uma ilusão atrevida que me dissesse uma verdade chinesa, com uma intenção de um beijo doce na boca... Quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale, se for preciso eu repito: deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água, debaixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido, só faltava respirar... Mas tinha que respirar, vai ser, vai ter que ser faca amolada, quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém. Eu quero tudo que dá e passa, quero tudo que se despe, se despede e despedaça, quero conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. Eu sou aquele navio no mar, sem rumo e sem dono, não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar. Tenho a miragem do porto pra reconfortar meu sono e flutuar sobre as águas da maré do abandono. E sou a ilha deserta onde ninguém quer chegar, lendo a rota das estrelas na imensidão do mar, chorando por um navio que passou sem me avistar... É o fundo do poço, é o fim do caminho, no rosto o desgosto é um pouco sozinho. Sei que assim falando pensas que esse desespero é moda, mas pergunte pro seu orixá: o amor só é bom se doer. Na verdade continuo sob a mesma condição: distraindo a verdade, enganando o coração.

PS: Pero nada me hará tán feliz como dos margaritas...

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