A mudança revolucionária é mais desesperadamente urgente do que nunca, mas já não sabemos o que significa "revolução". Quando nos perguntam, tendemos a tossir e a gaguejar e tratamos de mudar de assunto. Nosso não-saber é, em parte, o não-saber daqueles que estão historicamente perdidos: o saber dos revolucionários do século passado foi derrotado. Mas é mais do que isso: nosso não-saber é também o não-saber daqueles que compreendem que não-saber é parte do processo revolucionário. Perdemos toda certeza, mas a abertura da incerteza é fundamental para a revolução. "Perguntando, caminhamos", dizem os zapatistas. Nós perguntamos não só porque não conhecemos o caminho (não o conhecemos), como também porque perguntar pelo caminho é parte do próprio processo revolucionário.
(Trecho do capítulo 11 de "Mudar o mundo sem tomar o poder", de John Holloway)
"há sempre um copo de mar para um homem navegar" - jorge de lima
Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que estas coisas acontecem a todo o mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios
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