"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sobre o tempo



O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconseqüente conversa.

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre…
Todas as horas são horas extremas!

(Mario Quintana)

Uma das escolas de Tlön chega a negar o tempo: argumenta que o presente é indefinido, que o futuro não tem realidade senão como esperança presente, que o passado não tem realidade senão como lembrança presente . Outra escola declara que transcorreu já todo o tempo e que nossa vida é apenas a lembrança ou reflexo crepuscular, e sem dúvida falseado e mutilado, de um processo irrecuperável. Outra, que a história do universo - e nela nossas vidas e o pormenor mais tênue de nossas vidas - é a escritura que produz um deus subalterno para entender-se com o demônio. Outra que o universo é comparável a estas criptografias nas quais não valem todos os símbolos e que só é verdade o que sucede cada trezentas noites. Outra que enquanto dormimos aqui, estamos despertos em outro lado e que assim cada homem é dois homens.

(Jorge Luis Borges - Tlön, Uqbar, Orbis Tertius)

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