"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

quinta-feira, 30 de abril de 2009

bula poética

há que saber dosar a poesia.
menos de um manoel de barros ao mês
pode causar deficiência lírica crônica.

recomenda-se rezar ao menos um quintana ao acordar
e gritar um pessoa ao se embriagar.
não se surpreender com o possível efeito colateral:
tendência a ser outro,
não sendo nada,
e ainda assim tendo todos os sonhos do mundo.

cautela nas misturas entre leminski e vinicius:
seus efeitos ainda não foram suficientemente estudados
nem sentidos.
suspeita-se que sejam responsáveis
por um incontrolável surto de viver intensamente.

em caso de mal-estar,
um bandeira sempre à mão
pode solucionar.
ou piorar.
neste caso, a única saída é tocar um tango argentino.

há indícios de que um bom neruda
potencializa os efeitos de drummond.

a overdose, porém, pode ser irreversível:
pesquisas comprovam que excesso de cecilia
pode causar ânsia eterna de infinito.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Manoel de Barros: Uma didática da invenção

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

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Poesia é voar fora da asa.

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Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

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O menino ia no mato
E a onça comeu ele.
Depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino
E ele foi contar para a mãe.
A mãe disse: mas se a onça comeu você, como é que o caminhão passou por dentro do seu corpo?
É que o caminhão só passou renteando meu corpo
E eu desviei depressa.
Olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.
Eu não preciso de fazer razão

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A força de um artista vem de suas derrotas.

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A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre
as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

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Se diz que há na cabeça dos poetas um parafuso de a menos
Sendo que cós mais justo seria o de ter um parafuso trocado do que a menos
A troca de parafusos provoca nos poetas uma certa disfunção lírica

Nomearei abaixo 7 sintomas desta disfunção lírica.

1 – Aceitação da inércia para dar movimento às palavras.
2 – Vocação para explorar os mistérios irracionais.
3 – Percepção de contigüidades anômalas entre verbos e substantivos.
4 – Gostar de fazer casamentos incestuosos entre palavras.
5 – Amor por seres desimportantes tanto como pelas coisas desimportantes.
6 – Mania de dar formato de canto às asperezas de uma pedra.
7 – Mania de comparecer aos próprios desencontros.

Essas disfunções líricas acabam por dar mais importância aos passarinhos do que aos senadores.

domingo, 19 de abril de 2009

Música mexicana

Ambas fazem parte da trilha sonora de Frida.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quintana: Para viver com poesia

Os espelhos partidos têm muitos mais luas...

Quem nunca se contradiz deve estar mentindo.

Nós vivemos a temer o futuro; mas é o passado quem nos atropela e mata.

Dar conselhos traz sempre um grande alívio porque nos desobriga de os seguir.

Amar é mudar a alma de casa.

AMIZADE: quando o silêncio a dois não se torna incômodo.

AMOR: quando o silêncio a dois se torna cômodo.

Que haja vento sem parar...

Miguilim
Guimarães Rosa

"... dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundezas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Felicidade se acha é só em horinhas de descuido".

Como diria Odair
Zeca Baleiro

A felicidade é uma coisa tão difícil
Tão difícil de conseguir
Mas de vez em quando ela chega
Quando menos se espera
Quando nada se espera
Ela vem
E fica um pouco aqui comigo
Por algumas horas, minutos, segundos

Como já falou o sábio poeta Odair
Ouve aí:
Felicidade não existe, só momentos felizes
No mais são cruzes e crises

Sempre que eu tô feliz
Logo vem um infeliz
Se fingindo de amigo
Querendo apagar o meu sorriso
Que é o mais próximo do paraíso que eu consigo

Quando menos se espera
Quando nada se espera
Ela vem, vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai
Vem, vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai...

A felicidade
Vinicius de Moraes e Tom Jobim

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

quarta-feira, 1 de abril de 2009

El vampiro bajo el sol

Dejá al miedo, la sombra del dolor
Dejé mi nueva piel quemarse bajo el sol
Dejé a los que dicen que nada va a cambiar
Y algo ya se cambió
Acá dentro en mi
Las luces de mi vida mortal
Acá dentro en mi
Las luces de un dia normal
En mi eternidad