há que saber dosar a poesia.
menos de um manoel de barros ao mês
pode causar deficiência lírica crônica.
recomenda-se rezar ao menos um quintana ao acordar
e gritar um pessoa ao se embriagar.
não se surpreender com o possível efeito colateral:
tendência a ser outro,
não sendo nada,
e ainda assim tendo todos os sonhos do mundo.
cautela nas misturas entre leminski e vinicius:
seus efeitos ainda não foram suficientemente estudados
nem sentidos.
suspeita-se que sejam responsáveis
por um incontrolável surto de viver intensamente.
em caso de mal-estar,
um bandeira sempre à mão
pode solucionar.
ou piorar.
neste caso, a única saída é tocar um tango argentino.
há indícios de que um bom neruda
potencializa os efeitos de drummond.
a overdose, porém, pode ser irreversível:
pesquisas comprovam que excesso de cecilia
pode causar ânsia eterna de infinito.
"há sempre um copo de mar para um homem navegar" - jorge de lima
Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que estas coisas acontecem a todo o mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios
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