"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quando eu tiver setenta anos...


Já disse Quintana:
"Qualquer idéia que te agrade,Por isso mesmo... é tua.O autor nada mais fez que vestir a verdadeQue dentro em ti se achava inteiramente nua"
O que Leminski fez nos poemas abaixo foi só me traduzir antes que eu soubesse o que queria falar:


quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta minha adolescência


vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência


vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito


vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito


então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência


***


eu queria tanto

ser um poeta maldito

a massa sofrendo enquanto

eu profundo medito


eu queria tanto

ser um poeta social

rosto queimado

pelo hálito das multidões


em vez olha eu aqui

pondo sal

nesta sopa rala

que mal vai dar para dois


***


parem

eu confesso

sou poeta


cada manhã que nasce

me nasce

uma rosa na face


parem

eu confesso

sou poeta


só meu amor é meu deus


eu sou o seu profeta


***


LÁPIDE 1

epitáfio para o corpo


Aqui jaz um grande poeta.

Nada deixou escrito.

Este silêncio, acredito

são suas obras completas.


***


moinho de versos

movido a vento

em noites de boemia


vai vir o dia

quando tudo que eu diga

seja poesia


***


Incenso Fosse Música


isso de querer

ser exatamente aquilo

que a gente é

ainda vai

nos levar além


***


tenho andado fraco


levanto a mão

é uma mão de macaco


tenho andado só

lembrando que sou pó


tenho andado tanto

diabo querendo ser santo


tenho andado cheio

o copo pelo meio


tenho andado sem pai


yo no creo em caminos

pero que los hay

hay

***


minhas sete quedas


minha primeira queda

não abriu o pára-quedas


daí passei feito uma pedra

pra minha segunda queda


da segunda à terceira queda

foi um pulo que é uma seda


nisso uma quinta queda

pega a quarta e arremeda


na sexta continuei caindo

agora com licença

mais um abismo vem vindo

***


meus amigos

quando me dão a mão

sempre deixam

outra coisa


presença

olhar

lembrança

calor


meus amigos

quando me dão

deixam na minha

a sua mão


***

não fosse isso

e era menos

não fosse tanto

e era quase


***

você está tão longe

que às vezes penso

que nem existo


nem fale em amor

que amor é isto

Um comentário:

salix disse...

volta aqui! tenho uma coisa importante pra lhe falar!