"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

As cidades

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

(Sophia de Mello)

Eu vim a Londres. O lugar tinha se tornado o centro do meu mundo, e eu tinha trabalhado muito para chegar nele. (...) Eu me tornei nada mais que um habitante de uma cidade grande, roubado de minhas lealdades, o tempo passando, me afastando mais e mais do que eu era, eu cada vez mais recolhido em mim mesmo, lutando para manter o equilíbrio e deixar acesa em mim a visão do mundo aberto que existia além dos tijolos e do asfalto e do caos dos trilhos de trem. Todas as terras míticas definharam, e na cidade grande fui confinado a um mundo menor do que qualquer outro que eu conhecera. Me tornei minha casa, minha mesa, meu nome.

(V. S.Naipaul, An Area of Darkness)

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