Não é sete de setembro, nem dia de finados. Não é sexta-feira-santa nem um outro feriado. Justamente o tão esperado dia de descanso, é também o mais melancólico pela segunda que anuncia. Engraçado que não costumamos notar a cruel contradição que é ter que passar uma semana inteira sendo consumidos pelas obrigações infinitas do trabalho, estudos, etc, etc, para enfim termos direito a um dia para aproveitarmos a vida. Na verdade, partindo da definição de tempo de “Momo e o Sr. Do Tempo”, se tempo é tempo vivido, é o tempo em que nos sentimos realmente vivos, e se durante a semana somos progressivamente submetidos a mais alienação e insensibilidade para termos que dar conta de cada vez mais obrigações, é como se, na verdade, estivéssemos vivendo um dia por semana. E o pior é que a música dos Titãs vai ficando cada vez mais desatualizada, “tudo está fechado” é coisa do passado, cada vez mais “tudo está abrindo” aos domingos, o que quer dizer que cada vez mais menos pessoas podem curtir o domingo. Essa sensação de perda do controle sobre o próprio tempo, sobre a própria vida, foi muito bem interpretada em duas músicas de duas de minhas bandas favoritas, Pato Fu e Engenheiros do Hawaii. Seguem trechos das letras das duas abaixo. Quanto a mim, não sei o que fazer, mas já vou, antes que eu confunda o domingo com a segunda...
“Tenho vivido um dia por semana,
Acaba a grana, mês ainda tem,
Sem passado, nem futuro
Eu vivo um dia de cada vez
Quantas vezes eu estive
Cara a cara com a pior metade
Quantas vezes a gente sobrevive
À hora da verdade...
Se eu soubesse antes o que sei agora,
Iria embora antes do final...”
“Quase não me sobra tempo algum
Não conheço bem lugar nenhum
Fora do trabalho
Eu acho essa cidade tão ruim.
Sou tão dedicado a ser comum
Anos vão passando um a um
E o tempo pela frente comigo é diferente
Conto assim: sete catorze vinte e um...”
Pato Fu, Amendoim
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