"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

domingo, 23 de setembro de 2007

Hoje é domingo

Não é sete de setembro, nem dia de finados. Não é sexta-feira-santa nem um outro feriado. Justamente o tão esperado dia de descanso, é também o mais melancólico pela segunda que anuncia. Engraçado que não costumamos notar a cruel contradição que é ter que passar uma semana inteira sendo consumidos pelas obrigações infinitas do trabalho, estudos, etc, etc, para enfim termos direito a um dia para aproveitarmos a vida. Na verdade, partindo da definição de tempo de “Momo e o Sr. Do Tempo”, se tempo é tempo vivido, é o tempo em que nos sentimos realmente vivos, e se durante a semana somos progressivamente submetidos a mais alienação e insensibilidade para termos que dar conta de cada vez mais obrigações, é como se, na verdade, estivéssemos vivendo um dia por semana. E o pior é que a música dos Titãs vai ficando cada vez mais desatualizada, “tudo está fechado” é coisa do passado, cada vez mais “tudo está abrindo” aos domingos, o que quer dizer que cada vez mais menos pessoas podem curtir o domingo. Essa sensação de perda do controle sobre o próprio tempo, sobre a própria vida, foi muito bem interpretada em duas músicas de duas de minhas bandas favoritas, Pato Fu e Engenheiros do Hawaii. Seguem trechos das letras das duas abaixo. Quanto a mim, não sei o que fazer, mas já vou, antes que eu confunda o domingo com a segunda...


“Tenho vivido um dia por semana,

Acaba a grana, mês ainda tem,

Sem passado, nem futuro

Eu vivo um dia de cada vez

Quantas vezes eu estive

Cara a cara com a pior metade

Quantas vezes a gente sobrevive

À hora da verdade...

Se eu soubesse antes o que sei agora,

Iria embora antes do final...”


Engenheiros do Hawaii, Surfando Karmas e DNA


“Quase não me sobra tempo algum

Não conheço bem lugar nenhum

Fora do trabalho

Eu acho essa cidade tão ruim.

Sou tão dedicado a ser comum

Anos vão passando um a um

E o tempo pela frente comigo é diferente

Conto assim: sete catorze vinte e um...”

Pato Fu, Amendoim

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