"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

domingo, 30 de setembro de 2007

Preguiça: liberdade e resistência

LIBERDADE

Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro pra ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por Dom Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

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MUDAR O MUNDO SEM TOMAR O PODER (trecho)
John Holloway

"Sejamos preguiçosos em tudo, exceto ao amar e beber, exceto em sermos preguiçosos". Lafargue começa sua obra The right to be lazy (O direito à preguiça) com essa citação, querendo dizer que não há nada mais incompatível com a exploração capitalista do que a preguiça defendida por Lessing. Na sociedade capitalista, no entanto, a preguiça implica uma rejeição a fazer, uma afirmação ativa de uma prática alternativa. Fazer, no sentido em que o entendemos aqui, inclui a preguiça e a busca do prazer, práticas que são negativas em uma sociedade baseada em sua negação. Em um mundo baseado em uma conversão do fazer em trabalho, a rejeição pode ser vista como uma forma efetiva de resistência.

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