"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

sexta-feira, 15 de maio de 2009

poema desocupado

poesia é coisa de desocupados
é coisa de irresponsáveis
é coisa de gente imatura
é coisa de quem não vive a realidade concreta
poesia é coisa pra quem pode se dar ao luxo
de achar que vai destruir os moinhos
lançando palavras ao vento.

poesia é coisa de quem, estando ocupado,
inventa o tempo que não tem
é coisa de quem, tendo obrigações,
acha uma fenda no muro impenetrável do cotidiano.
é coisa de quem, não tendo maturidade para ser seco,
paga o preço por gostar de ser como uma criança.
é coisa de quem, preso à realidade sufocante,
cria a realidade libertadora.
poesia é coisa pra quem pode se dar ao luxo
de ter coragem
de enxergar os moinhos
e de lutar com o vento
e com as palavras.

sim, poesia é coisa de gente inútil.
ah, mas como é necessária...

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