Se é para ser poetas,
Não o sejamos convenientemente pela metade,
Não gozemos a beleza agonizante a conta-gotas,
Uma dose por dia,
Até mesmo porque isso pode ser auto-ajuda,
Mas jamais será poesia.
Poesia é o excesso que não satisfaz,
É a utopia que não se adia,
É a ilusão que constrói a realidade,
É a megalomania dos detalhes.
Se é para ser poetas,
Sejamos com as estrelas
E com o lixo,
Sejamos com o mar
E com a lama
E sejamos inteiros,
Ainda que sempre incompletos.
"há sempre um copo de mar para um homem navegar" - jorge de lima
Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que estas coisas acontecem a todo o mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios
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