meu coração está cheio de borboletas
que atiçam com seu vôo
a brasa que sobrevoam
meu coração às vezes se acende,
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Esculpido nos escombros
sempre fica
um rastro de tudo
o que passa,
uma xícara de louça
com sua asa quebrada,
um lençol surrado
onde se hospedaram
os sonhos
nos quais se suportou a vida;
o esqueleto de
uma casa
ou uma tumba derrubada.
toda ruína tem algo de templo,
todo homem
é o resto de um suicídio
a gota no cálice
que não bebemos até o fim.
sobretudo recolher tudo o que se perde,
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tenho as mãos mortas
de mendigar perdão pela vida
de tão culpado já sou vítima
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quando dois buracos se encontram
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no fundo não há raízes,
há o arrancado
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viver como sob o mar
onde respirar é tragar a morte
ou como buscando
um filho perdido na multidão,
sem saber onde está,
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como ver o reflexo na taça
da qual se bebe,
como se ver feito de sede:
da sede de nos refletirmos
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