"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Poesia dos escombros

Poemas do argentino Hugo Mujica, traduzidos por mim.


meu coração está cheio de borboletas
que atiçam com seu vôo
a brasa que sobrevoam

meu coração às vezes se acende,
se enche de cinzas de cor arco-íris

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Esculpido nos escombros

sempre fica
um rastro de tudo
o que passa,

uma xícara de louça
com sua asa quebrada,

um lençol surrado
onde se hospedaram
os sonhos
nos quais se suportou a vida;

o esqueleto de
uma casa
ou uma tumba derrubada.

toda ruína tem algo de templo,

todo homem
é o resto de um suicídio

a gota no cálice
que não bebemos até o fim.

sobretudo recolher tudo o que se perde,
perdendo-se

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tenho as mãos mortas
de mendigar perdão pela vida

de tão culpado já sou vítima

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quando dois buracos se encontram
não são buracos: é transparência

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no fundo não há raízes,

há o arrancado

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viver como sob o mar
onde respirar é tragar a morte

ou como buscando
um filho perdido na multidão,

sem saber onde está,
sem saber se nasceu

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como ver o reflexo na taça
da qual se bebe,

como se ver feito de sede:
da sede de nos refletirmos

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