Estamos desequilibrados, somos instáveis. Não gritamos porque estamos sentados numa poltrona, mas porque estamos caindo de um penhasco. O pensador que se encontra sentado na poltrona pressupõe que o mundo que o rodeia é estável, que as irrupções contra o equilíbrio são anomalias que devem ser explicadas. Referir-se a alguém com os termos "desequilibrado", "instável", se torna pejorativo, são termos que desqualificam o que dizemos. Para nós, os que estamos caindo do penhasco (e aqui o "nós" talvez inclua toda a humanidade), ocorre exatamente o contrário: vemos o mundo como um movimento confuso. O mundo é um mundo de desequilíbrio e o que deve ser explicado é o equilíbrio e a suposição do equilíbrio.
(John Holloway, Mudar o mundo sem tomar o poder)
"há sempre um copo de mar para um homem navegar" - jorge de lima
Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que estas coisas acontecem a todo o mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas)
"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios
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