"Siempre acabamos llegando a donde nos esperan" - Libro de los itinerarios

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Elogio ao tédio

Joseph Brodsky

De certa forma, o tédio é a janela para o tempo, com vista para aquelas propriedades que costumamos ignorar pelo bem de nosso equilíbrio mental. Resumindo, é a janela para o infinito do tempo, o que significa que é a janela para nossa insignificância nele. É o que explica, talvez, o pavor de noites solitárias e apáticas, ou o fascínio com que às vezes assistimos às circunvoluções do pó num raio de sol, e ouvimos o tique-taque de um relógio, o dia está quente, e abaixo de zero a nossa força de vontade.
Uma vez aberta a janela, não tentem fechá-la; ao contrário, é melhor escancará-la. Pois o tédio fala a língua do tempo e ensina a lição mais valiosa da vida, algo que não se aprende aqui, nesses gramados verdejantes: nossa absoluta irrelevância.
(...) Somos irrelevantes porque somos finitos. No entanto,quanto mais finita uma coisa, mas repleta de vida, emoções, alegria, medos, compaixão. Pois o infinito não é incrivelmente vivo, não é incrivelmente emocionante. O tédio, pelo menos, nos diz isso. Porque nosso tédio é o tédio do infinito.


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