"Ao poeta cabe pronunciar as palavras sempre sacrílegas e as blasfêmias permanentes."
Benjamin Péret
Benjamin Péret
Eu digo que é preciso ser vidente, se fazer vidente.
O Poeta se faz vidente por meio de um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele busca a si mesmo, ele exaure em si mesmo todos os venenos, para então guardar apenas as quintessências. Indizível tortura na qual ele precisa de toda a fé, de toda a força sobre-humana, onde se torna entre todos o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito -- e o supremo Sábio! -- Pois ele chega ao desconhecido! Porque ele cultivou a sua alma, já rica, mais do que nenhum! Ele chega ao desconhecido, e quando, enlouquecido, ele acabaria por perder a inteligência de suas visões, ele as viu! Que ele morra no seu salto pelas coisas incríveis e inomáveis: chegarão outros horríveis trabalhadores; eles começarão pelos horizontes onde o outro se curvou!
(...)
Portanto, o poeta é realmente um ladrão de fogo.
(Arthur Rimbaud, Carta do vidente)
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